O goleiro do Flamengo Bruno Fernandes e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, se entregaram nesta quarta-feira (7) na Polinter Andaraí, no Rio, menos de 12 horas após terem a prisão decretada pela Justiça. Os dois e o adolescente J., primo de Bruno, foram indiciados pelo sequestro da ex-amante do goleiro, Eliza Samudio, de 25 anos. Na terça-feira, J. afirmou que Eliza foi sequestrada no Rio e morta em Contagem (MG). “O depoimento é sólido. Bruno está indiciado como mandante do sequestro, os outros dois como executores”, disse o delegado Felipe Ettore.
Em Minas, o I Tribunal do Júri de Contagem determinou a prisão temporária por 30 dias de sete suspeitos. Além de Macarrão e Bruno, foram presos Dayanne Souza, mulher do goleiro, e Sérgio Rosa Sales Camelo, primo. Outros três suspeitos – Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e Elenilson Vitor da Silva – continuavam foragidos à noite. A Justiça mineira ainda expediu quatro mandados de busca e apreensão em Minas e Rio e determinou a internação provisória de J., sob alegação de que ele poderia “ser eliminado”.
Outro investigado, Cleiton Gonçalves – que teria entregado o corpo de Eliza a um traficante para ser “desovado” – se safou da prisão. No Rio, durante todo o dia, o Disque-Denúncia recebeu ligações sobre o paradeiro de Bruno. Uma delas dizia que Bruno estava na casa de uma amante. Lá, agentes souberam, por moradores, que ele se entregaria na Polinter, unidade bem distante da Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, que apura o caso.
Com o semblante fechado, Bruno não esboçou sentimentos ao sair da delegacia. Já Macarrão estava abatido e com olhar assustado. Os dois seriam ouvidos ainda nesta noite. E poderiam ser levados na madrugada desta quinta-feira (8) a Minas. O goleiro estava com o advogado Michel Assef Filho, que não quis dar declarações
Policiais que ouviram o relato de J. sobre a morte disseram que o depoimento é de “embrulhar o estômago”. Segundo o adolescente, Eliza recebeu as coronhadas no carro a caminho de Contagem (MG). Ao chegar a Minas, teria ficado em cárcere privado por quase uma semana, antes de ser morta por estrangulamento. O jovem disse ainda que Bruno chegou ao sítio dois dias depois de Eliza, mas os agentes acham que essa parte do depoimento pode ser fantasiosa, pois Bruno teria chegado já com o grupo, em outro carro. Dayanne também esperava por todos no sítio.
Sangue
A Polícia Civil de Minas Gerais anunciou ontem que vestígios de sangue localizados na caminhonete Range Rover deBruno Fernandes, são mesmo de Eliza. Os exames realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) comprovaram a ocorrência de sangue em cinco locais no interior do veículo. Três vestígios foram identificados no exame de DNA como compatíveis com o da jovem, desaparecida há cerca de um mês As amostras das manchas foram confrontadas com o material cedido por Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, e o colhido do filho que ela teria tido com Bruno um bebê de quatro meses.
Conforme o diretor do IC, Sérgio Ribeiro, e a chefe do Laboratório do DNA, Fabíola Soares Pereira, o exame em uma amostra revelou um resultado indefinido. Outra mancha apresentou um perfil de DNA masculino, o que para os investigadores poderá ajudar na identificação do suposto agressor de Eliza. “Temos a materialidade indireta e, caso não se ache o corpo, já é possível fazer o delito indireto do crime de homicídio, que está beirando a 100%”, disse o delegado Edson Moreira. (Agência Estado)