Robinho está pronto para fazer história na África do Sul. E do jeito que o brasileiro gosta. No rastro de suas pedaladas, ele trará a reboque a seleção brasileira, que era para ser de Kaká, mas que caminha para ser sua. Em Dar es Salaam, na Tanzânia, última parada da equipe de Dunga antes de estrear na competição, Robinho já se soltou mais, ensaiou sua tradicional jogada em que passa os pés sobre a bola para entortar os marcadores e assim garantiu mais liberdades para aprontar, no bom sentido.
Aos poucos ele vai se livrando das amarras que cercam o grupo e começa a se divertir na África, uma característica que parecia enterrada nesse elenco de 2010 devido à intolerância de Dunga ao que aconteceu quatro anos antes, na Alemanha.
Robinho sabe que é o remanescente daquele futebol alegre e moleque. Jamais quis ser diferente. E para sua satisfação, agora o chefe acena com a possibilidade de precisar de suas jogadas. Com Luís Fabiano fora de foco, Dunga pedirá a Robinho um pouco mais de graça e ousadia, contrariando o que a opinião pública achava que ele jamais fosse fazer. O técnico não repensou suas convicções táticas e técnicas, mas enxergou nos dribles e na ginga do atacante santista sua melhor cartada para ganhar as partidas.
Robinho entrará no Ellis Park, no próximo dia 15, contra os norte-coreanos, como se estivesse na Vila Belmiro. Será o único do time com essa liberdade. Ele esperava por isso desde que se apresentou ao chefe, no último dia 21, em Curitiba. “O Dunga nunca nos proibiu de nada e sempre deu liberdade para a gente fazer o que sabe em campo”, repete quando lhe perguntam sobre as orientações táticas recebidas dentro da seleção.
Ocorre que Robinho tem feito a diferença no ataque do Brasil, vive boa fase e já se juntou a Luís Fabiano como o maior artilheiro do time na era Dunga, com 19 gols. Nos dois amistosos realizados no Zimbábue e na Tanzânia, por exemplo, ele marcou três gols, uma média que dimensiona a importância que tem hoje para a equipe.
Jorginho e Dunga não baixaram a guarda em relação às pedaladas do atleta. Sempre afinados em suas ideias, perceberam, porém, que faltando seis dias para a primeira partida do Brasil no Grupo G, suas duas outras estrelas ainda não estão bem. Kaká e Luís Fabiano precisam de mais tempo. O meia caminha a passos largos para sua recuperação. Contra a Tanzânia, deixou o chefe satisfeito com sua atuação de 90 minutos. Mas o próprio Dunga entende que ele ainda está fora de suas condições técnicas e ainda sem aquelas arrancadas que o torcedor está acostumado a ver. Dunga prefere apostar então num Kaká mais tático nessa primeira fase para tê-lo mais técnico nos confrontos decisivos.
O problema de Luís Fabiano é outro. O atacante ainda não fez bons treinos, coletivos ou amistosos. Dos oito gols da equipe nos dois jogos no continente, ele não fez nenhum. Passou em branco. Contra a Tanzânia, acabou se irritando com sua própria atuação. Sabe que precisa balançar as redes para readquirir a confiança na seleção brasileira. (Agência Estado)