Goiânia
Atualizado em 09/07/2010 - 12h48

Novo presidente não terá céu de brigadeiro

Notícia disponibilizada por O HOJE.

Convidado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL) para fazer palestra sobre a conjuntura político-econômica do Brasil, o deputado Ciro Gomes (PSB) mostrou que acredita que, apesar dos avanços do governo Lula, o Brasil ainda tem muitos problemas. “O próximo presidente não vai entrar com céu de brigadeiro, não”, disse. “O próximo governo brasileiro terá problemas relativamente graves na área fiscal e na área cambial”, apontou.

Para Ciro, a economia brasileira tem sido sustentada pelas reservas cambiais. “É porque a taxa de juros no Brasil está tão alta, e no mundo tão baixa, que há um imenso fluxo financeiro financiando este desequilíbrio no Brasil, o que causa esta ilusão de que está muito bem”, avaliou. “O grande desafio do próximo governo é uma equação fiscal, o déficit da Previdência, que é o maior da história, e a questão cambial”, resumiu.

Ciro lembra que, apesar de o Banco Central estar com a menor taxa de juros média dos últimos 50 anos, ainda é o juro maior do mundo. “Isto é a febre de uma infecção, mas a razão do juro alto é que o nosso problema”, afirmou, apontando a taxa interna de poupança baixa como um dos problemas.

Mesmo com o “arquiconservadorismo”, a política monetária do Banco Central, Ciro acredita, porém, que o Brasil está diferente após o governo do presidente Lula. “O Brasil mudou de patamar, hoje as condições do Brasil são bem melhores do que eram quando o presidente Lula assumiu”, disse. “Pela primeira vez em um século e meio, com uma crise internacional o Brasil não quebrou”, assinala.

SUCESSÃO

Demonstrando estar ainda chateado por não participar da eleição presidencial deste ano, Ciro se coloca como um observador nada neutro da atual cena política brasileira. “Até dois meses atrás eu lutava para ser candidato a presidente do Brasil e, infelizmente, meu partido optou por não lançar a candidatura própria”, lembrou.

“Acho um erro reduzir o debate brasileiro”, avaliou. “Infelizmente, o debate está amesquinhado nesse falso plebiscito entre os amigos do Lula (entre os quais eu me incluo) e os amigos do FHC, representados pelo Serra”, definiu. “Isto é muito pouco para um País que precisa tanto discutir seu futuro”, lamenta.

Sobre seu engajamento na campanha de Dilma Rousseff (PT), Ciro revelou que não está animado. “A minha participação na campanha, a proporção dela, vai depender do nível de incorporação pela candidata das minhas preocupações com o País”, avisou. (M.I.)

Segunda, 06 de Fevereiro de 2012

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